quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Em defesa da torneira

Letycia (direita) e Maria Fernanda Franco, as lideranças à frente da iniciativa Água na Jarra Foto: www.aguanajarra.com.br 
Qual o caminho percorrido pela água até chegar as residências? Água engarrafada é uma opção sustentável? O que fazer para consumir água limpa e colaborar com o meio ambiente? Essas são algumas questões que a iniciativa  Água na Jarra tenta responder contabilizando todos os efeitos do consumo do bem mais precioso do planeta Terra.

Economista de formação, Letycia Janot sempre foi preocupada com o meio ambiente. Especializou-se em projetos focados na sustentabilidade de negócios e responsabilidade socioambiental e concluiu que algo deveria ser feito para frear esse exagero, que, segundo ela ainda não pode ser calculado, mas que terá grande efeito para as futuras gerações. “Com certeza as crianças de hoje viverão dificuldades geradas pelo nosso estilo de vida atual. Minha intenção era dar uma pequena contribuição para que possamos consumir com mais responsabilidade”, aponta.

Confira a entrevista exclusiva da Presidente da Água na Jarra, Letycia Janot nos concedeu:

Verde em Pauta: Por que beber água na jarra é melhor do que de garrafões ou em garrafas comuns de plástico?

Letycia Janot: Beber água é fundamental para nossa sobrevivência e saúde. Este é um ato cotidiano que praticamos várias vezes ao dia. Logo, dar preferência ao consumo da água de torneira filtrada, é praticar a sustentabilidade mais básica. Isso porque esta água já está disponível para nosso consumo em nossas residências, locais de trabalho e lazer e não há nenhum impacto ambiental adicional para consumi-la. 

Já o consumo de água engarrafada está associado a vários impactos ambientais ligados à produção das garrafas, transporte, armazenamento e descarte da embalagem após o consumo. Beber a água filtrada também nos faz refletir constantemente sobre como são importantes a água que chega em nossas torneiras e os mananciais de água das nossas cidades. Isto está muito evidente agora com a crise hídrica que estamos vivendo em São Paulo e em outras cidades do país.

VEP: Quais são as principais frentes de trabalho do Água na Jarra?

LJ: Trabalhamos com a questão educativa para a valorização da água de torneira e também pela mudança de hábitos de consumo. Podemos praticar o consumo da água filtrada não só em nossas casas, mas também em nossos locais de trabalho, escolas, universidades e em restaurantes.

VEP: Quais são as vantagens de mudar esse modo de consumir água engarrafada?

LJ: Está muito claro que a ação individual também tem um papel muito importante para evoluirmos de um estilo de consumo insustentável para um novo modelo. Já não temos espaço físico para acomodar todo o lixo que produzimos, nossos recursos hídricos são limitados e nosso planeta sofre as consequências de uma economia baseada nos combustíveis fósseis. Como indivíduos podemos sim contribuir para as mudanças necessárias aconteçam de forma mais rápida.



VEP: Quando surgiu a iniciativa e por quê?

LJ: A ideia surgiu porque pouco se falava sobre a questão da água engarrafada no Brasil e todos os impactos ambientais negativos associados ao seu consumo. Aos poucos fomos percebendo também que é importantíssimo valorizar a água de torneira e os mananciais de água que abastecem as cidades.

VEP: E em locais com acesso difícil à água, como deixar de usar as garrafas?

LJ: Cada caso deve ser avaliado individualmente e é claro que a água consumida, independentemente de sua origem, deve ter a qualidade adequada ao consumo humano. Com certeza em casos de calamidade, como o que aconteceu em Mariana recentemente com a onda de lama que varreu o Rio Doce, a água de garrafa teve um papel importante para garantir a segurança hídrica das populações afetadas. Mas posso garantir que estas pessoas devem estar muito ansiosas para voltar a ter água de qualidade chegando em suas casas para suprir suas necessidades básicas de consumo. Sem essa água, nossa qualidade de vida fica extremamente prejudicada.

VEP: Qual dica você dá para quem pretende começar a mudar seus hábitos e conscientizar os familiares?

LJ: Acho que praticar aquilo que se diz é o mais importante. Se a pessoa entende que as suas ações ajudam a melhorar o meio ambiente, começam a praticar o consumo responsável em diversas situações em suas vidas. Isso pode ser muito simples, como beber a água filtrada, usar sacolas retornáveis, dispor o lixo adequadamente, etc. 

VEP: Mesmo nas cidades grandes, muita gente tem receio de consumir água direto da torneira, como ter certeza de que ela é saudável o suficiente para o consumo?


LJ: A legislação brasileira estabelece que essa água (de torneira) deve estar própria para o consumo humano e é um direito de todos ter acesso à água de boa qualidade. Muitas vezes, porém, o consumidor esquece que ele também tem alguns deveres, como manter a sua caixa d’água sempre limpa e caso use um filtro, fazer a sua manutenção e limpeza periódica.

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