quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Futon sustentável é opção ecologicamente correta para a casa



Aliar matérias-primas sustentáveis e qualidade equivalente – ou superior – a dos produtos industrializados, é um dos principais desafios de quem busca produzir materiais feitos de maneira ecologicamente correta.

Utilizando mantas de algodão que são produzidas através de resíduos da indústria têxtil, fibra de coco e lã de ovelhas, os empresários Virgínia Rafael e Eduardo Cabral  resgataram um dos principais símbolos japoneses, o futon, mostrando que é possível unir estes dois conceitos e  beneficiar o meio ambiente.

“Nós começamos a produzir as peças em 1985. Na época, debates sobre questões de sustentabilidade ainda estavam no início. E até então, somente a alimentação saudável era citada. Foi neste cenário que tudo começou”, contou ela.



Símbolo da cultura japonesa, o futon voltou a ser popular no Brasil no começo dos anos 90 (foto: divulgação)
  
Ensinada por uma amiga, que aprendeu a prática em um instituo em Boston, nos Estados Unidos, Virgínia e Eduardo começaram a fazer os primeiros colchões dobráveis. Segundo ela, a ideia de unir matérias primas sustentáveis se deu justamente por causa desse momento e também por sua formação cultural.
“Eu cresci no meio da geração da liberdade, de paz e amor,. Esta geração, que é alternativa, sempre questionou os modos de produção até então. E procurar soluções para este sistema inteiro sempre fez parte das nossas questões essenciais. Eu decidi que esta seria a minha forma de lidar com isso, criando futons de qualidade e que preservam os modos de produção corretos”, completou a empresária. 
Matérias-primas 
Costurado à mão, o produto utiliza matéria-prima reaproveitada para diminuir o impacto no ambiente (foto: divulgação)

Com o sugestivo nome de Biofuton, o colchão feito por Virgínia é, de acordo com ela, 100% sustentável. Ao contrário de similares, que utilizam espuma, um material tóxico e não reciclável, o produto é recheado com algodão reaproveitado, o mesmo utilizado para a produção de talas cirúrgicas e ataduras médicas. Limpo, o material pode ser usado para compor o futon.

“Um de nossos grandes diferenciais é que não usamos espuma, que não tem como ser reaproveitada e que libera toxinas. Só em 2012, foram 16 milhões de toneladas produzidas no mundo. Evitando usá-la, já estamos beneficiando o meio ambiente”, completou Virgínia.

Outro material que também é usado é a fibra de coco, que por enquanto ainda está somente em algumas peças. Até mesmo as PETs, tão usadas na atualidade – plumantes – também são usadas em algumas almofadas, justamente por não serem materiais estáveis.

Amplamente utilizada, a garrafa PET é usada para algumas peças menores (foto: divulgação)

O revestimento dos futons, por sua vez, é constituído por tecidos 100 % algodão, provenientes da fabricação têxtil, minimizando ainda mais a pegada ecológica dos produtos. Até mesmo o fechamento dos colchões é feito de maneira manual, sem o uso de zíperes ou velcro, reduzindo a zero o uso de metais e plásticos não reaproveitáveis.

“Além do benefício claro que este tipo de materiais dá ao meio ambiente, o seu uso também é uma boa maneira de mostrar ao seu cliente, seja ele quem for, que ele está comprando um produto altamente responsável e que não será descartado com facilidade”, afirmou ela.

Preço e durabilidade

Ergonômico, o futon sustentável pode custar até 4 vezes mais do que os comuns (foto: divulgação)

Será que todo este processo de elaboração correto, com trabalhadores fazendo as peças à mão e matérias primas responsáveis vale a pena para o bolso? Depende. E justamente por que há um custo benefício embutido no produto.

Vendidos a partir de R$ 400 reais em diversas lojas online, os futons tradicionais chegam a custar quatro vezes menos que uma peça sustentável. “Desde que começamos, ficamos por quase 16 anos sem concorrência. Hoje, nós temos não só concorrentes, como lojas físicas e virtuais”, disse ela.

A vida útil do futon sustentável pode ultrapassar os 30 anos (foto: divulgação)


Por outro lado, o Biofuton tem maior durabilidade que os produtos “não recicláveis”, chegando a ter mais de 30 anos de vida útil, de acordo com Virgínia. E, além disso, as peças também podem passar por um “recall” de tempos em tempos, tendo o algodão da parte interna trocado.

O único serviço que a produção de Virgínia não oferece é o recolhimento dos produtos que não serão mais utilizados, peça importantíssima em tempos de consumo inveterado.


Crédito das fotos: divulgação

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