quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Hortas urbanas integram comunidades e produzem alimentação saudável



Cuidadosamente enfileirados em um canteiro na praça do ciclista, na Avenida Paulista, ramos de salsinha, rúcula, alface e cebolinha recebem atenção especial de um grupo de jovens que ali está. Munidos de garrafas d’água e de pequenas ferramentas de jardinagem, alguns deles conferem em detalhes como estão as mudas mais recentes, enquanto outros fazem o plantio de pequenas hortaliças em um espaço próximo.


Em um ambiente rural, a cena bucólica seria normal, mas em um dos espaços mais movimentados de São Paulo, ela ganha ares fantásticos. Ao contrário do que se pensa, estas plantações urbanas têm se tornado cada vez mais comuns pela capital paulista e surgiram através de grupos de discussão na internet. Entre as mais conhecidas pelos interessados pelo assunto estão a Horta das Corujas, na Vila Madalena, a Horta do Ciclista, na Paulista, a Horta do CCSP e a Horta Vila Pompéia.

Todos podem plantar

Regido em sistema de mutirão, o movimento é totalmente colaborativo e descentralizado, ou seja, quem tiver interesse pode se apresentar para ajudar na ação. “O trabalho com as hortas não é de abastecimento, por enquanto, mas sim de conscientização. A ideia é reaproximar as pessoas do aspecto natural dos alimentos e mostrar que nós podemos produzir comida no ambiente urbano,” afirmou Claudia Visoni, uma das fundadoras dos Hortelões Urbanos, que após dois anos de atividade registra 4.740 membros.

Além de trocar dicas e experiências, os “fazendeiros da cidade” também participam da implantação de novas hortas, seja com conselhos ou participando efetivamente das ações conjuntas, mas totalmente informais. Esta integração também acontece em piqueniques de trocas de sementes e mudas, que são realizados a cada três meses no Parque da Luz, em parceria com a organização Árvores Vivas e o viveiro Arborizando.

Cercadas – para evitar a circulação de animais – e com restrições a espécimes frutíferas, as plantações tem a sua colheita acessível a qualquer pessoa, participante ou não. Podem-se extrair quantas hortaliças quiser, mas os voluntários costumar pedir que haja bom senso. “ Não estamos monopolizando o espaço público. A horta é de todos. Basta escolher uma delas e começar a plantar”, completou.

Como fazer sua horta urbana: cinco passos práticos

Seu bairro tem uma horta urbana? Não? Quer saber como fazer? Pedimos ajuda aos  Hortelões,  que elaboraram seu próprio manual conjunto, e chegamos a cinco passos básicos para quem quer começar a sua plantação. Confira:

Encontre: procure por praças ou canteiros que pareçam descuidados ou sub-utilizados e faça contato com a subprefeitura da região. No caso de um terreno ocioso, sempre faça contato com o proprietário antes de qualquer ação. Com a autorização para utilizar o espaço, certifique-se de que a plantação tenha acesso à água boa, e se possível, solicite a análise do solo com um agrônomo.

Planeje: depois de encontrar o lugar ideal, pense no que vai ser plantado no espaço. Hortaliças e temperos são as opções mais indicadas. Faça um mapa de onde vai plantar cada coisa e delimite espaços. Isso ajuda os novos plantadores a se orientar.

Trabalhe: chame os amigos e ponha seu plano em prática. Forme um mutirão e alterne tarefas. Crie avisos para que não haja depredação.

Cuide: regar, adubar e retirar folhas mortas são tarefas essenciais para a sobrevivência da plantação. Enquanto não houver um grupo engajado nisto, você, como organizador, deve dispor parte de seu tempo para estas tarefas.

Divulgue: crie um blog ou comente em grupos do assunto, como os Hortelões Urbanos. Pessoas próximas podem estar à procura de um espaço para trabalhar.


 Crédito da foto de abertura: Luiz Campos / Creative Commons

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